A função do sono
O sono REM faz mais do que reparar o cérebro
Uma abordagem para investigar a função do sono é verificar quais mudanças fisiológicas e comportamentais resultam de sua falta. Há mais de uma década foi descoberto que a privação total de sono em ratos leva à morte. Esses animais perdem peso, apesar do consumo exagerado de alimentos, têm aumento da freqüência cardíaca e do gasto energético, sugerindo uma perda de calor excessiva. Os animais morrem por razões ainda desconhecidas em 10 a 20 dias, bem mais rapidamente que se fossem completamente privados de alimento mas pudessem dormir normalmente.
Estudos de privação de sono em humanos revelaram que a sonolência aumenta até mesmo com pequenas reduções no tempo de sono noturno. Sentir-se sonolento ao dirigir ou durante atividades que requerem vigilância contínua é tão perigoso quanto consumir álcool antes delas. Porém as evidências sugerem que "ajudar" pessoas a aumentar o tempo de sono ao prescrever medicamentos indutores de sono por longos períodos não produz benefícios nítidos à saúde e pode, realmente, encurtar o tempo de vida. Sete horas de sono por noite correspondem a um tempo maior de vida em humanos. É tão inexorável a necessidade de sono que, para conseguir uma privação total, é necessária uma estimulação intensa e repetida. Os pesquisadores que estão empregando a privação para estudar a função do sono são, portanto, rapidamente confrontados com a dificuldade de distinguir os efeitos de estresse daqueles por perda de sono.
Os estudos sobre privação de sono indicam, todavia, que o sono REM deve fazer mais que preparar o cérebro para a experiência acordada. Esses estudos demonstram que os animais privados de sono REM irão dormir mais que o tempo usual quando puderem. Eles aparentemente tentam recuperar o "débito" - mais uma pista de que o sono REM é importante. Fica claro que se a única função do sono REM fosse a excitação do cérebro, estar acordado poderia saldar o débito, porque o cérebro é também quente e ativo quando estamos acordados. Porém a vigília, claramente, não realiza essa tarefa. O débito de sono REM talvez resulte de uma necessidade de descansar os sistemas de monoaminas ou outros sistemas que são "desligados" no sono REM.

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